quinta-feira, 21 de junho de 2012

OSWALDO GOELDI: SOMBRIA LUZ no MAM

 

 

O MAM está apresentando uma exposição dedicada à obra de Oswaldo Goeldi (1895-1961), considerado o expoente do expressionismo no Brasil. Também no MAM, a mostra “O ateliê de Goeldi” exibe seu espaço de criação no Leblon,  instrumentos de trabalho e objetos pessoais.

Na maior mostra já feita sobre o artista carioca encontram-se gravuras e desenhos produzidos por ele a partir da década de 20 – “momento em que Goeldi se tornou Goeldi”, como define o curador Paulo Venâncio Filho.

Nesses trabalhos, é possível identificar diferenças entre ele e os outros expressionistas. “Goeldi usa elementos mínimos, não é panfletário nem sentimental; suas obras têm certa sobriedade”, observa o curador. “Ainda assim, explora temas recorrentes entre os artistas do movimento, como a tensão entre a vida e a morte”.

Oswaldo Goeldi nasceu no Rio de Janeiro em outubro de 1895 e morou em Belém do Pará, às margens do Amazonas, até os seis anos de idade.

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Em 1901 vai com a família para Berna,  capital da Suíça, terra de seu pai, o naturalista Emílio Goeldi.

Inicia sua vida artística sob a escura atmosfera da I Grande Guerra. A morte será um tema recorrente em toda sua produção.

 

O MAM estreia nesta sexta-feira (15) a maior retrospectiva do expoente do expressionismo no Brasil Oswaldo Goeldi (1895-1961) Leia mais

  

Em entrevista a Ferreira Gullar (ARTES PLÁSTICAS - Jornal do Brasil. 1957. 12. 1. Suplemento Dominical)      Goeldi declara:

“Em 1919 vim para o Brasil, com minha família. A paisagem brasileira me pareceu estranha, era como se eu nunca houvesse estado aqui. Procurei então assimilar as formas que, com a minha ausência, tinham mudado de fisionomia e de expressão. Desenhei muito para me assenhorear das formas, ambientes, do novo mundo visual que ia ser a matéria de minha expressão. O que me interessava eram os aspectos estranhos do Rio suburbano, do Caju, com postes de luz enterrados até a metade na areia, urubu na rua, móveis na calçada, enfim coisas que deixariam besta qualquer europeu recém-chegado. Depois descobri os pescadores e toda madrugada ia para o mercado ver o desembarque do peixe e desenhava sem parar”.

 

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Goeldi - Garça

 

Outros trechos da mesma entrevista:

“Toda gravura minha é desenhada muitas vezes, tomo apontamentos e só muito depois, às vezes anos, nasce a gravura“.

“Estava saturado do preto-e-branco e procurei a cor. Inicialmente fiz umas aquarelas e depois tentei passar para a gravura. Nas primeiras gravuras em que usei a cor, usei-a com um sentido diferente, meio simbólico, meio fantástico, como na gravura do guarda-chuva vermelho e na do siri vermelho, entre outras. Nessa fase cheguei a fazer gravuras em policromia, com sete, oito cores e tons diferentes. Foi então que reparei que me aproximava da estampagem”.

 

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“Há quem condene a gravura em cores.
Lembro-me que um crítico italiano - parece que Pallucchini - declarou que gravura tinha que ser mesmo em preto e branco, gravura em cor era desvio. Discordo dessa opinião. Tudo depende da aplicação que se faz na cor. Quando bem aplicada, a cor não prejudica a gravura, antes a enriquece, como no caso dos japoneses, de Gauguin e de Munch. Pallucchini talvez tenha dito aquilo pensando nas experiências feitas pelos alemães, há algum tempo, cujo resultado foi fragoroso: faziam uma estampagem pesada, com linóleo, que parecia mais pintura que gravura”.

“ Há gravadores que parecem se contentar com o preto e o branco extraindo deles ricos efeitos.
Pode-se com o preto atingir efeitos de policromia mas isso não quer dizer que a gravura esteja obrigada a esses elementos. Com a cor consegue-se ótimo resultado. É certo que nem toda técnica recebe bem a cor. Ela fica melhor na lito e na xilo”.

“Nunca poderia fazer uma gravura abstrata. Sempre quero expressar alguma coisa que é anterior às formas que gravarei, que envolve um sentimento qualquer de angústia, de solidão ou de fantástico. Não gravo diretamente, desenho primeiro sobre a chapa, dispondo as zonas de cor, de massa preta, os brancos, e só gravo mesmo quando considero que a idéia está clara, e então gravo dum arranco do começo ao fim”.

Goeldi será sempre um observador que segue colecionando seus segredos, para revelá-los pouco a pouco : peixes, cidades e urubus, abandono e solidão.

 

O MAM estreia nesta sexta-feira (15) a maior retrospectiva do expoente do expressionismo no Brasil Oswaldo Goeldi (1895-1961). Entre os destaques, a xilogravura "Rua", de 1938 Leia mais

 

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 O tema urbano, tão caro aos artistas modernos, em Goeldi, conta a história, não apenas do Rio de Janeiro, mas de qualquer cidade industrializada.

 

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Em sua obra, Goeldi fala sobre a experiência de habitar lugares que não acolhem, sobre a solidão, a incomunicabilidade, o desajuste e o esquecimento.

 

O MAM estreia nesta sexta-feira (15) a maior retrospectiva do expoente do expressionismo no Brasil Oswaldo Goeldi (1895-1961). Entre os destaques, está a obra "Sonâmbula" (sem data) Leia mais

 

 

O MAM estreia nesta sexta-feira (15) a maior retrospectiva do expoente do expressionismo no Brasil Oswaldo Goeldi (1895-1961) Leia mais

 

Nas palavras de Paulo Venâncio Filho, “meio século após sua morte, a obra de Oswaldo Goeldi ainda desafia os clichês que retratam o Brasil como uma espécie de paraíso tropical. Com os recursos limitados da xilogravura e do desenho a lápis ou carvão, mostrou que sob a luz solar havia um mundo em desassossego e desajuste”.

“Este singular expressionista deslocado nos trópicos, que encontrou em Alfred Kubin – com quem se correspondeu – um amigo e admirador, vislumbrou, especialmente na paisagem urbana do Rio de Janeiro, a condição trágica do homem moderno; seu isolamento, sua solidão, sua disjunção com o real. Através da simples oposição entre luz em sombra da xilogravura, com uma economia mínima de elementos, revelou um mundo subterrâneo, às vezes fantástico, às vezes sinistro e ameaçador, e não menos verdadeiro.”

 

Ivan Claudio  comenta: “Quem contempla a obra sombria do artista plástico Oswaldo Goeldi (1895-1961) não imagina que ele a produziu na ensolarada cidade do Rio de Janeiro.”

 

Oswaldo Goeldi: sombria luz (Grande Sala) e O Ateliê de Goeldi (Sala Paulo Figueiredo). Até 19/08, ter. a dom. das 10h às 17h30. Museu de Arte Moderna de São Paulo, Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 3. R$ 5,50 (entrada franca aos domingos). Agendamento de visitas: 5085-1313 e email educativo@mam.org.br. mam.org.br  

 

domingo, 3 de junho de 2012

EXPOSIÇÃO DE RENATA CRUZ NO DCONCEPT

 

Classificação por Espécies, individual de Renata Cruz, apresenta  parte da produção de desenhos e aquarelas da jovem e promissora artista paulista.

 

 

 

 

  Organizada no exíguo espaço da sala-garagem do dconcept,         encontra-se uma coleção de desenhos e de objetos de valor simbólico.

 

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Na parede ao fundo estão reunidos, em três linhas paralelas, 30 desenhos de objetos, em tamanho real sobre papel A4, que Renata produziu nos dias do mês de maio de 2011 como parte do projeto “Um desenho por dia”.

 

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A chave para a compreensão da obra da artista se encontra numa vitrine, no centro da saleta : objetos de pequeno porte que ela coleta entre amigos, ou entre desconhecidos, em projetos como “Quatro semanas de objetos estabilizadores” (SESC), quando  percorreu cidades do Interior do Estado de São Paulo trocando brochuras artesanais por objetos de desconhecidos. Se num primeiro momento eles serviram de motivo para o exercício diário de desenho, “para não perder a mão”, como diz a artista, organizados em seis caixas esses objetos ganham novo sentido.

 

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Nas demais paredes estão as séries Encontro Marcado, em que a artista exibe imagens de objetos doados por amigos com frases  a eles relacionados e também desenhos, onde objetos de desconhecidos são apresentados ao lado de páginas abertas de livros.

 

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“O uso de frases soltas que compõem os desenhos de objetos de Renata Cruz não passará despercebido pelo público que visitar sua exposição. Retiradas de obras literárias e desmembradas pela artista, a colagem de frases nas páginas das brochuras parece igualar-se a poemas em prosa”.

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“Escapou do tempo. É um sobrevivente” – são frases que acompanham os desenhos de uma garrafa de refrigerante vazia e uma folha de árvore seca.

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“O mesmo ocorre com os objetos que a artista recebe de suas trocas: por um objeto pessoal de valor simbólico, ela oferece uma brochura com desenhos de objetos da mesma natureza, intercambiados em outras ocasiões. As brochuras acabam sendo a moeda de troca por meio da qual a artista recebe objetos aparentemente sem valor, mas que não são outra coisa que a matéria prima de seu trabalho. E os desenhos, afiliados ao seu procedimento de trabalho, são meios que o aproximam da esfera relacional da arte, transformando o espectador em participante-ativo, como dizia Hélio Oiticica”.

 

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“A artista fundamenta seu modo de relacionar-se com a arte e seus interlocutores, transformando objetos corriqueiros na ferramenta que engendra ações subjetivas e agregando valor a cada peça inserida em sua coleção. Instaura-se nesse momento a possibilidade de burlar convenções, redefinindo tanto o ato de relacionar-se com o outro, quanto códigos de conduta instituídos”.

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 “Enquanto coleciona objetos e frases que chegam até ela por meio da troca ou apropriação, Renata Cruz arquiteta bases sólidas para sua relação com a arte. É preciso pensar na organicidade do mundo e na ressignificação da sintaxe para adentrar sua maneira de atuar no mundo da arte”.

Comentários do crítico Josué Mattos

 

Renata Cruz é graduada em Comunicação Visual pela Unesp de  Bauru e em Belas Artes pela Universidad Autónoma de Madrid, Espanha. Tem pós-graduação em Arte Integrativa pela Universidade Anhembi Morumbi. Sua formação artística inclui curso livre de gravura no MAC USP, de pintura com Hildebrando de Castro, acompanhamento de projetos com o artista Osmar Pinheiro e com o critico Josué Mattos. Desde 2005 vem participando de mostras coletivas com o Ateliê Fidalga, coordenado pelos artistas Sandra Cinto e Albano Afonso, e com o grupo Aluga-se.


Serviço:
Classificação por Espécies, mostra individual da artista Renata Cruz
Período expositivo: de 04 a 30 junho de 2012
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Alameda Lorena, 1.257, G1 (Vila Flávio de Carvalho)
01424-001 - Jardim Paulista, São Paulo - SP
Horários: de segunda a sexta-feira, das 14 às 20 horas
Tel. (11) 3085 5006
www.dconcept.net
Entrada gratuita e livre

 

terça-feira, 22 de maio de 2012

GORMLEY EXIBE CORPOS EM SÃO PAULO

 

No centro de São Paulo, em uma área que vai da Praça do Patriarca até o Teatro Municipal, podem ser vistas 27 esculturas em forma de homens, feitas de ferro e em escala real , solitárias, no topo de prédios. Elas transformam a paisagem urbana de uma maneira discreta e instigante ao mesmo tempo.

 

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O artista inglês Antony Gormley realizou, em 2010, essa mesma instalação, "Event Horizon" , em Nova York, e houve quem se assustasse, pensando serem as esculturas potenciais suicidas. O escultor se diverte com a história. " O princípio básico dessa obra é uma ideia conceitual de que somos limitados pela percepção. O corpo é tirado de onde ele normalmente se encontra e está exposto contra o céu, olhando um horizonte que não podemos ver porque estamos incrustados na cidade. Quero que as pessoas olhem ao redor", conta o artista.

"Event Horizon", já exibida também em Londres, compreende, ainda, 4 esculturas de homens (tendo como molde o próprio corpo do artista) espalhadas pelas ruas da região central paulistana. É um dos destaques da mostra "Corpos Presentes - Still Being", primeira grande exposição do conceituado  escultor na América do Sul, inaugurada  sábado, no Centro Cultural Banco do Brasil. Vencedor do prêmio Turner, em 1994, ele também apresenta na cidade  a mostra "Fatos e Sistemas", preparada especialmente por sua galeria inglesa, a White Cube, que veio participar da SP-Arte 2012 e alugou um galpão perto do Parque do Ibirapuera.

 

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"Estou impressionado com a arquitetura de São Paulo, orgânica e com princípios geométricos. Parece uma peça de geologia, inconsciente, feita com uso inteligente do concreto e com grafites. Os prédios são como cristais." Viu no centro que as pessoas fervilham de um lado para o outro com uma energia muito "diferente" da vista nos transeuntes ensimesmados de Londres.

 

A mostra, que tem curadoria de Marcello Dantas, seguirá depois para o Rio de Janeiro e para Brasília. 

CORPOS PRESENTES – STILL BEING CCBB, Rua Álvares Penteado, 112, telefone 3113-3651. Grátis. Até 15/7.

FATOS E SISTEMAS – FACTS AND SYSTEMS White Cube, Rua Agostinho Rodrigues Filho, 550.  Grátis. Até 15/7.                                               

  As informações são do jornal O Estado de S. Paulo, da FOLHA DE S. PAULO e do site: http://obviousmag.org/archives/2010/02/esculturas_humanas_de_antony_gormley.html#ixzz1vSImEoEW

segunda-feira, 21 de maio de 2012

VIRADA CULTURAL EM ARAÇATUBA

 

Durante a Virada Cultural (19 e 20 de maio) Araçatuba teve a oportunidade de assistir a 33 diferentes apresentações de teatro, circo,dança e música, espetáculos para os diferentes segmentos de público que prestigiou a programação.

Particularmente posso destacar a apresentação sábado de João Donato que, aos 77 anos, animou o auditório do Teatro da Unip com a sua vitalidade e encantou o músico José Renato Gimenes e sua esposa Ana que relembravam, com muito prazer, um show do artista assistido há 28 anos no Rio de Janeiro.

O Quarteto de Cordas Paulo Bosísio foi a atração de domingo na Catedral Nossa Senhora Aparecida. A temperatura agradável da manhã e a luz suave coada pelos vitrais completavam um cenário perfeito para a audição que a todos enlevou. Os aplausos foram calorosos, tanto para a música clássica como para a popular, apresentada no final. Ao quarteto se somou, em um dos números, o som do piano, formando-se por fim um quinteto com a adição de um contrabaixo. Saímos todos com um só desejo: mais concertos na Catedral.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

CALATRAVA E O MUSEU DO AMANHÃ

 

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Santiago Calatrava, famoso arquiteto espanhol, esteve no Rio no início deste mês para apresentar o projeto do Museu do Amanhã a ser realizado pela prefeitura em parceria com a Fundação Roberto Marinho. Será sua primeira obra no país e a inauguração está prevista para maio de 2014.

Segundo Calatrava "O museu não pode ser uma espécie de fortaleza, como que dizendo 'estamos aqui para guardar o tesouro da cultura'. Ao contrário, tem de ser um lugar aberto à cidade e convidativo ao público. É importante entender o museu como parte de um contexto. Ele dialoga com a cidade. Queremos que sirva como fermento para revitalizar e reestruturar a paisagem urbana, para recuperar a praça Mauá, uma das mais belas do Rio".

 

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Sua filosofia de "museu aberto" está refletida não apenas nos traços do edifício --uma longa estrutura horizontal aberta nas duas pontas, cuja forma ele definiu como "um misto de inseto e planta"-- mas também em seus arredores, onde Calatrava criou o que chamou de "passeio arquitetônico".

"Usamos a parte exterior do museu para que o visitante receba uma série de estímulos que o deixem perplexo: o teto que se abre e se fecha seguindo o périplo solar, os jardins remetendo à natureza do Rio, as piscinas que falam da utopia de poder filtrar a baía [de Guanabara]." Pretende que seja "um museu de exploração das possibilidades do amanhã". "O projeto é tão audaz que parte do hoje para o amanhã, não para o passado. Preocupa-se com o legado."

O museu de mais de 12.500 m² será construído no Píer Mauá, zona leste do Rio, e terá uma exposição interativa com o foco na ciência e tecnologia que irão moldar o mundo daqui a 50 anos. Os visitantes terão a possibilidade de simular como  suas atitudes no presente  afetarão o planeta no futuro.

 

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Uma previsão de como serão as exposições no Museu do Futuro.

 

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Previsão de um dos blocos da exposição do Museu.

 

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A praça do Museu do Amanhã 

 

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Vista aérea do Museu do Amanhã. O primeiro piso terá um anfiteatro com capacidade para mais de 400 pessoas e o segundo nível irá comportar a exposição

 

Calatrava comentou suas impressões sobre a cidade: "A natureza tem um valor paisagístico extraordinário no Rio. É claro que, como todas as cidades, tem partes mais controversas, por exemplo, as favelas." Demonstrou, porém, uma visão otimista sobre elas: "Gosto do que se chama de 'pacificação' das favelas, é de uma inteligência enorme abordar o problema dessa maneira. Esses lugares são vitais, têm uma capacidade criativa imensa." E terminou atribuindo aos arquitetos parte da responsabilidade para encontrar soluções: "Costumo dizer que, se nós, arquitetos do século 21, não formos capazes de dar uma resposta a estes problemas das grandes cidades, teremos perdido o trem."

Fontes:

FOLHA DE S. PAULO ilustrada E 3, domingo, 13 de maio, 2012

Mobly Design 11 de maio, 2012 no Arquitetura, Novidades (4)

sexta-feira, 27 de abril de 2012

DI - ALGUNS INESQUECÍVEIS

 

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Teve início, dia 23, no Paulo Kuczynski Escritório de Arte,  a exposição “Di – Alguns Inesquecíveis”, que reúne pinturas de Di Cavalcanti, produzidas entre os anos 1920 e 1940.

A exposição é resultado de três anos de trabalho do marchand Paulo Kuczynski, que pesquisou coleções particulares e obras do legado de familiares do pintor.

Das nove obras da mostra, três delas nunca participaram de exposições: “Conversa no Cais”, de 1938, “Serenata”, da década de 1940 (ambas óleo sobre tela), e “Mulher no Divã”, de 1932, que traz, no verso, um desenho sem data - “Cena de Porto”). .

 

“Serenata”

 

Em entrevista ao programa “Começando o Dia”, Kucynski comentou a exposição: “O interessante é que formei um conjunto de obras raras que são dos melhores anos de Di Cavalcanti. Ele pintou a vida brasileira, trouxe a identidade do nosso país para a arte moderna”.

Di Cavalcanti descobriu a pintura de Picasso um ano depois da Semana de Arte Moderna, em sua primeira viagem à Europa, em 1923. Não há na mostra uma mulata da época, mas uma tela da década de 1920, Descanso dos Pescadores, presenteada pelo pintor ao escritor paraibano José Lins do Rego, já mostra uma mulher sentada na areia a desafiar, na forma e no comportamento, os padrões vigentes.

 

Descanso dos Pescadores

 

Também de 1932 é o pastel Mulher no Divã, com um nu frontal ousado para a época e descrito pelo poeta Ferreira Gullar, ( um dos autores do Manifesto Neoconcreto em 1959)no catálogo da mostra, como “a imagem da mulher brasileira”.

 

Mulher no Divã

 

Gullar  comenta que Di Cavalcanti, ao contrário de seus contemporâneos da Semana, “fala do Brasil suburbano e busca na mulher brasileira mestiça a expressão de um novo conceito de beleza em contraposição à da arte acadêmica, que retratava a mulher branca e sofisticada”. Apresenta “uma nova Vênus mulata, de lábios carnudos, seios bastos e quadris pronunciados”.

 

Di Cavalcanti, definido pelo crítico Luís Martins como o “hedonista” que pintava quadros com “um cheiro forte, penetrante e lúbrico de mulatas despidas”,  foi, também,  o pintor das cores e cenas escuras, como a aquarela Bordel, da década de 1930.

 

 

Há uma nítida diferença até mesmo na paisagem que Di Cavalcanti produziu entre as duas décadas. Descanso dos Pescadores, a praia da tela presenteada a Lins do Rego, tem uma luz tropical que contrasta com a Pedra da Moreninha (década de 1930), óleo sobre tela colada em cartão, integrante da retrospectiva do artista no Museu de Arte Moderna de São Paulo, em 1971.

 

 

Em 1928, Di Cavalcanti fez um retrato  do escritor modernista paulistano Oswald de Andrade (1890-1954), um dos idealizadores da Semana de Arte Moderna: uma aquarela "Poeta com Flor", para ilustração do poema Solidão, na revista semanal Para Todos.

 

 Poeta com Flor

 


Gullar observa, a respeito do óleo sobre tela Conversa no Cais (1938), que os temas de Di Cavalcanti são “tipicamente brasileiros”, mas que sua linguagem é inconfundível. A tela, pintada na França, mostra duas mulheres em trajes africanos, num ambiente lúgubre: o cais do porto de alguma cidade francesa.

 


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Mesmo diminuta, a mostra traz um recorte importante da produção do artista.

 

 

Paulo Kuczynski Escritório de Arte
Al. Lorena, 1661, telefone 3064-5355.

Aberta para o público do dia 23 de abril a 28 de maio,  segunda a sexta, das 11 às 18h. Grátis

 

Fonte de pesquisa: consultas no google.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

GIACOMETTI na PINACOTECA do ESTADO

 

 Alberto Giacometti: Coleção da Fondation Alberto et Annette Giacometti, Paris

Numa iniciativa da Pinacoteca do Estado, pela primeira vez na América do Sul, uma exposição individual reúne a produção do escultor, pintor e desenhista suíço Alberto Giacometti (1901–1966). 

 

 

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Annette Giacometti | Alberto Giacometti no ateliê modelando um busto de Yanaihara, setembro de 1960 | © Fondation Giacometti, Paris / Succession Giacometti, AUTVIS, São Paulo, Brasil, 2012

 

 

Na exposição, organizada cronologicamente, pode ser vista a primeira pintura do suíço, feita em homenagem ao pai e ao pintor Cézanne, além de suas esculturas cubistas mais antigas, que datam de 1922. 

A mostra apresentará  a única obra do artista em um museu brasileiro: a escultura “Quatre Femmes sur Socle”, da exposição permanente do MAM no Rio de Janeiro.

Fazem parte, também, alguns exemplares da célebre série em bronze “L’Homme qui Marche”, inclusive “L’Homme qui marche I”, avaliada atualmente como a escultura mais cara do mundo, e que pertence à colecionadora brasileira Lily Safra. 

 

 

L'homme qui marche I, 1960

 

Giacometti entrou para a história da arte como um escultor de rudes arquétipos humanos, homens que são ao mesmo tempo todos os homens."Ele junta todas as caras que vê numa só", descreve Véronique Wiesinger, curadora da mostra. "São visões construídas a partir de vários momentos, de rostos que desfilam pela memória dele."

A pintura e a escultura estão sempre interligadas em toda a trajetória do artista, ele as cria (além da gravura e do desenho) por toda a sua vida. “Para ele, uma cabeça, escultórica ou pictórica, é como uma maçã das naturezas-mortas de Cézanne e a figura, assim, é muito mais do que a representação fotográfica”, diz a curadora.

Tanto em Cézanne, quanto em Giacometti, existe uma indefinição dos contornos que separam as formas dos espaços que elas ocupam. Cézanne representou o mundo em formas geométricas, Giacometti esculpiu seus conjuntos de homens e mulheres esguios, como se fossem clareiras e florestas.

 

 

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A Floresta

 

Numa aproximação  maior com a pintura, ele privilegia a visão frontal das peças, criando esculturas quase inacabadas, em que a parte de trás permanece bruta. Seus bustos lembram rochedos que culminam com a forma rude de rostos sem expressão .

 

 

Escultura de bronze "Busto de Homem" (foto) integra a retrospectiva do pintor e escultor suíço Giacometti 

 

 

"Sua arte é carregada, sua figura, perigosa", diz a curadora. Há a rudeza nas conhecidas (e milionárias) esculturas de bronze dos homens e mulheres delgados e alongados de Giacometti, mas suas obras afirmam ainda "que os seres são leves porque estão     vivos".    “Na verdade, os mortos é que se tornam pesados", completaVeronique.                     (As informações são do jornal        O Estado de S.Paulo.)

 

O existencialismo na obra de Giacometti traduz-se numa repetição dos meios expressivos e dos gestos formais: a deformação das proporções, o alongamento das formas e a manipulação da superfície e da textura. Personagens, isoladas ou em grupos, exprimem um sentido de individualismo, acentuado pela própria escala das esculturas. _ Uma linha vertical em confronto com a horizontalidade do mundo. 

 

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Femme de Venise 

 

Entre os destaques está Bola Suspensa (1930-31), considerada por Breton como o exemplo, por excelência, do que deveria ser uma escultura surrealista. 

 

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[grand nu], c.1961

 

 

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  "Tudo que eu conseguir fazer será uma pálida imagem do que vejo", escreveu o artista. "Meu sucesso será sempre menor que meu fracasso ou talvez igual a meu fracasso”.

 

Mostra “Alberto Giacometti: Coleção da Fondation Alberto et Annete Giacometti, Paris”
Data: de 24/3 a 17/6
Horário: de terça-feira a domingo, das 10h às 18h
Local: Pinacoteca do Estado de São Paulo
End.: Praça da Luz, 2 – Luz
Preço: R$6 (com meia-entrada para estudantes e idosos) Grátis aos sábados
Tel.: (11) 3324-1007