sábado, 20 de outubro de 2012

INSTITUTO INHOTIM

 

Inhotim, onde arte e natureza integram a comunidade

Situado em Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte (MG), Inhotim é o maior centro de arte ao ar livre da América Latina, com um acervo artístico de relevância internacional.

Ocupa uma área de 45 ha de jardins – parte deles criada pelo paisagista brasileiro Roberto Burle Marx – com uma extensa coleção botânica de espécies tropicais raras, em terreno de reserva de mata Atlântica, incluindo cinco lagos.

É um lugar em contínua transformação, onde a arte convive em relação única com a natureza. Além da arquitetura dos museus convencionais e dos parques de escultura, Inhotim oferece aos artistas a oportunidade de produzir obras de realização complexa.

 

Jardins do Inhotim

 

O Instituto Inhotim é uma instituição comprometida com o desenvolvimento da comunidade onde está inserida. Idealizado pelo empresário mineiro Bernardo Paz, Inhotim foi apresentado pela primeira vez ao público em setembro de 2004 e, em outubro de 2006, com estrutura completa para sua inauguração ao grande público, a instituição abriu as portas para visitas em dias regulares, sem a necessidade de agendamento prévio.

O acervo de Inhotim vem sendo formado desde meados de 1980, com foco na arte produzida internacionalmente dos anos 1960 até os nossos dias, buscando oferecer uma síntese das principais correntes artísticas da atualidade. Abriga mais de 500 obras de artistas de renome nacional e internacional, como Adriana Varejão, Helio Oiticica, Cildo Meireles, Chris Burden, Matthew Barney, Doug Aitken, Janet Cardiff, entre outros. Pintura, escultura, desenho, fotografia, vídeo e instalações  são exibidos em galerias espalhadas pelo Parque Ambiental.

Os espaços expositivos são divididos entre quatro galerias dedicadas a obras permanentes e outras quatro onde acontecem, com periodicidade bienal, apresentações de recortes da coleção.

As quatro galerias permanentes foram desenvolvidas especificamente para receber obras de Tunga, Cildo Meireles, Adriana Varejão e Doris Salcedo.

As galerias temporárias – Lago, Fonte, Praça e Mata - têm cerca de mil m² cada uma, com o mesmo tipo de arquitetura: grandes vãos que permitem aproveitamento dos espaços para apresentação de obras de vídeo, instalação, pintura, escultura etc. Todas são climatizadas, obedecendo os padrões museológicos internacionais.

Artistas em destaque no acervo Inhotim

O Inhotim se diferencia de outros museus por oferecer ao artista condições para a realização de obras que apenas em seu parque poderiam ser construídas.

 

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Nessa nova versão da escultura-chave de Yayoi Kusama, Narcissus Garden Inhotim, 500 esferas brilhantes de aço inoxidável flutuam nos espelhos d'água. É uma escultura em grande formato que, no entanto, se desmaterializa, movendo-se em reação ao vento e refletindo a natureza ao seu redor.

 

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No meio da terra avermelhada, De Lama Lâmina, Idealizada pelo americano Matthew Barney, é uma das obras que mais impressionam por falar de um tema atual: a destruição da floresta. 

Ao percorrer um caminho sinuoso para chegar até a obra, o visitante se depara com um cenário aparentemente inacabado: dois gomos de aço e vidro, acoplados um ao outro, em meio a montanhas de minério de ferro e árvores derrubadas. Do lado de dentro, o espaço é tomado por um enorme trator que ergue uma árvore de resina.

 

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Galeria Miguel Rio Branco

 

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Implantada em um terreno em aclive envolvido pela mata, a galeria Miguel Rio Branco  abriga áreas de apoio e permite a visualização da sala localizada no pavimento inferior, rebaixada 4,5 metros.

A ideia principal era de simular uma rocha saindo da montanha. O revestimento é feito de placas de aço e apresenta um interessante tom de ferrugem, devido a ser  localizado em uma mata com alto nível de oxidação dos materiais.

 

Galeria True Rouge

 

Galeria True Rouge

 

Galeria Mata

 


 

Outros Artistas em destaque em Inhotim

 

Chris Burden
Artista norte-americano, nome de referência para a performance e a body art. Sua escultura Samson (1985) é o retrato de uma época em que o artista questionava o Museu como espaço consagrado da arte, virtualmente destruindo-o.

Em 2008 construiu a mais impressionante instalação . No alto de uma montanha foram jogadas, por um guindaste de 45 metros de altura,  71 vigas de aço dentro de uma enorme poça de concreto fresco, durante 12 horas ininterruptas. O aspecto final da obra é um instigante amontoado de vigas alinhadas de forma aleatória. Propõe algo como a desconstrução da escultura moderna.

 

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“Beam Drop Inhotim”, Chris Burden.

 

Cildo Meireles

Cildo Meireles é um artista matricial para arte brasileira e sua obra vem conquistando cada vez maior atenção internacional. Em Inhotim, o Pavilhão Cildo Meireles reúne em caráter permanente as instalações Desvio para o vermelho (1968-2006), Glove Trotter (1991) e Através (1983-1989), esta exibida pela primeira vez no Brasil

 

`Glove Trotter`, Cildo Meireles

 

Tunga
Inhotim expõe, em duas galerias exclusivas e em caráter permanente, as obras True Rouge (1997) e Lezard (1989).

 

Galeria True Rouge

Galeria True Rouge

 

´True Rouge´, Tunga


   Adriana Varejão

 

Galeria Adriana Varejao

Galeria Adriana Varejão

 

 

 

Adriana Varejão no Inhotim

 

 

Adriana Varejão no Inhotim

 

Janet Cardiff

 


´Forty Part Motel 2001´

 

  Doris Salcedo


´Neither´

 

Os jardins de Inhotim também são cenário para obras de arte de grande escala, que usam a natureza como plataforma.

 

Inhotim

“Penetrável Magic Square # 5”, de Hélio Oiticica.

 

Bisected Triangle Interior Curve´, Dan Graham

 

  

 

A bela paisagem natural do Inhotim.

Não existem roteiros predefinidos para a visitação no Inhotim. A proposta é que o visitante se sinta a vontade no museu, experimente e descubra cada percurso e encante-se com a sinergia entre a arte e a paisagem. Durante o trajeto, logo após um lago, uma árvore frondosa e mesmo no meio do mato, as obras e galerias surgem inesperadas. A surpresa faz parte da experiência e torna a visita muito mais estimulante. As obras surgem ao longo do percurso.

 

Inhotim

Este iglu abriga a obra "By Means of a Sudden Intuitive Realization", de Olafur Eliasson.

 

Um bom exemplo da integração com o ambiente é a obra do premiado artista Doug Aitken, o “Sonic Pavilion”, que se assemelha a um disco voador aterrissado no alto de um morro. Dentro, no centro do pavilhão redondo com paredes de vidro, há uma perfuração no solo de 200 metros de profundidade, onde foram instalados cinco microfones de alta sensibilidade, que captam os sons do interior do planeta, que, depois de amplificados por vários alto-falantes, são distribuídos ao redor das paredes da instalação. É uma experiência única ouvir os sons da Terra e admirar a bela paisagem que se vislumbra lá de cima.

 

Inhotim

“Sonic Pavilion”

 

Matthew Barney

A menos de 100 metros do pavilhão sonoro de Aitken, uma trilha leva até a “De Lama Lâmina”, obra criada pelo artista norte-americano Matthew Barney. Construídos no meio de uma floresta de eucaliptos, os domos, compostos de vidro e aço, abrigam um enorme trator esmagando uma árvore de resina, representando o conflito entre a tecnologia e a natureza. Os reflexos formados nos vidros espelhados dos domos geram interessantes imagens distorcidas da obra.

 

 

“De Lama Lâmina”

 

E mais surpresas vão surgindo ao longo do percurso, como a “Troca-Troca”, obra composta por simpáticos fuscas coloridos alinhados em um extenso gramado, as esculturas sem cabeça assinadas por Edgard de Souza e as imponentes paredes simétricas da “Penetrável Magic Square # 5”, de Hélio Oiticica.

 

 

Inhotim

 

 

  De surpresa em surpresa

Ao contrário de alguns museus, onde não se pode tocar em absolutamente nada, o Inhotim estimula outros sentidos além da visão.

Em “Através“, Cildo Meireles artista escolheu objetos e materiais para recriarem barreiras, como cortinas de plástico, arame farpado e até aquários, formando um labirinto com o chão totalmente coberto por estilhaços de vidro. É uma sensação especial caminhar sobre os pedaços de vidro para examinar cada parte da obra. Os sons emitidos pelo choque dos pés, devidamente calçados, e os vidros, causam inicialmente um sentimento de aflição. Mas, após alguns instantes, com os ouvidos ambientados, a sensação é de admiração!

 

Inhotim

Cildo Meirelles no Inhotim

"Através", obra de Cildo Meireles.

 

Inhotim não dá para ser descrito… tem que ser visto e revisto, com muito vagar, absorvendo todo o prazer que proporciona a seus visitantes.

 

 

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

OSESP 2012 ITINERANTE EM ARAÇATUBA

 

De 11 a 13 de novembro a população de Araçatuba teve a oportunidade de assistir a três ótimas apresentações de quintetos de músicos da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo e do coro, além  de poder frequentar um  Curso de Apreciação Musical e oficinas de instrumentos.

O Quinteto de Sopros foi o primeiro a se apresentar, no dia 11. No dia 12, tivemos o Quinteto de Metais, com um programa mais popular, muito aplaudido e, à noite, o Coro da OSESP que agradou bastante.

Sábado, para encerramento, foi executado o belíssimo “Quinteto de Cordas em Dó Maior” de Franz Schubert, que deixou a assistência encantada.

A procura de ingressos foi grande e o Teatro Castro Alves se mostrou muito pequeno, principalmente nas noites de 12 e 13.

Foi muito bom ver o povo alegre aproveitar esta oportunidade, tão rara em nosso pobre meio cultural. Agradecemos e ficamos à espera de mais realizações.

Parabéns aos músicos da OSESP!

terça-feira, 14 de agosto de 2012

FLORES: ALEGRIA DA VIDA

 

Nasci numa família portuguesa encantada pela beleza das flores.

Nossa casa, aqui em Araçatuba, tem espaço suficiente para que

eu cultive algumas árvores frutíferas, ervas para temperar

alimentos e muitas flores de diferentes espécies. 

Resultado: cores, formas diversas, perfume

e um prazer renovado, dentro e fora de casa.

A cada dia a surpresa de novos brotos e botões que surgem:

a promessa de mais beleza.

Neste mês de agosto, o prenúncio da primavera nos traz

o quintal perfumado pela pitangueira coberta de flores

e uma grande profusão de orquídeas, camélias, cravinas,

azaléas, alpinas, hibiscos,  roseiras e outras mais…

… me sinto num mini paraíso…

 

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Muitas de minhas plantas têm história, associadas à família,

presentes de parentes e amigos queridos,

recordam-me de momentos felizes

e me dão mesmo é muita alegria.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

ERNESTO NAZARETH

 

 

Ernesto Nazareth 

 

Ernesto Nazareth (20/03/1863_04/02/1934) nasceu no Rio de Janeiro e aprendeu a tocar piano com sua mãe, Carolina Augusta Pereira Nazareth.

Com apenas 14 anos compôs sua primeira música, a polca-lundu “Você bem sabe”, dedicada a seu pai, o despachante Vasco Lourenço da Silva Nazareth. Em 1880, deu seu primeiro recital e publicou a polca Gracietta.Teve aulas com o professor Lucien Lambert e passou a apresentar-se com frequência nos clubes de sociedade da época, executando composições próprias e eruditas.

Em 1894, o tango Brejeiro, reeditado e gravado pela Banda da Guarda Republicana de Paris, atingiu sucesso internacional, o que permitiu que um número cada vez maior de suas peças fossem editadas.

Seu primeiro concerto realizou-se em 1898 e no ano seguinte foi feita a primeira edição do tango "Turuna".

Em 1905 foi gravada sua primeira obra , o tango "Brejeiro" , com o título "O sertanejo enamorado", com letra de Catulo da Paixão Cearense, pelo cantor Mário Pinheiro. No mesmo período, a Banda da Casa Edson gravou seu tango "Escovado", que fez bastante sucesso. Em 1908, começou a trabalhar como pianista na Casa Mozart e no ano seguinte, participou de recital realizado no Instituto Nacional de Música, interpretando a gavotta "Corbeille de fleurs" e o tango "Batuque".

Na primeira década do século XX, criou fama como pianista da sala de espera do cinema Odeon, onde onde iam muitas personalidades ilustres apenas para ouvi-lo. Foi em homenagem a essa sala que Nazareth batizou sua composição mais famosa, o tango "Odeon" (em parceria com seu aluno e amigo Ubaldo Leal). Aí conheceu o pianista Arthur Rubinstein e o compositor Darius Milhaud, que viveu no Brasil entre 1916 e 1918, como secretário diplomático da missão francesa."Seu jogo fluido, desconcertante e triste ajudou-me a compreender melhor a alma brasileira", declarou Milhaud, que aproveitou trechos de canções de Nazareth em suas composições: "O Boi no Telhado" e "Saudades do Brasil".

Em 1919, começou a trabalhar como pianista demonstrador da Casa Carlos Gomes _ mais tarde Carlos Wehrs_ com a função de executar músicas para serem vendidas, na  época a maneira comum de se divulgar as novidades musicais, pois ainda não havia rádio, os discos eram raros, e o cinema, mudo.

Em 1921, a Banda do Corpo de Bombeiros do Rio de Janeiro gravou os tangos "Sarambeque" e "Menino de ouro" e a valsa "Henriette". E dois anos depois, Heitor Villa-Lobos dedicou a ele a peça "Choros nº 1", para violão.

 

Em 1922,  a convite do compositor Luciano Gallet, participou de um recital no Instituto Nacional de Música do Rio de Janeiro, onde executou os tangos "Brejeiro", "Nenê", "Bambino" e "Turuna". Encontrou, porém, muita resistência popular, tendo sido necessária a intervenção policial para garantir a realização do concerto.

Em 1926, a Cultura Artística de São Paulo preparou uma homenagem ao compositor, que ainda deu recitais no Teatro Municipal e no Conservatório Dramático e Musical de Campinas.

Foi um dos primeiros artistas da Rádio Sociedade (atual Rádio MEC do Rio de Janeiro). Em 1930, concluiu sua última composição, a valsa "Resignação" e, no mesmo ano, gravou ao piano a polca "Apanhei-te cavaquinho" e o tango brasileiro "Escovado". Em 1932, apresentou, pela primeira vez, um recital só com músicas de sua autoria em um concerto precedido por uma conferência de Gastão Penalva. Nesse mesmo ano realizou uma turnê pelo sul do país, com grande êxito.

Nazareth resistiu bastante em dar denominações populares a suas composições. Músico de formação erudita, classificava-as como "tangos brasileiros". Uma das primeiras que classificou como "choro" é a famosa "Apanhei-te Cavaquinho", um clássico tocado em diversas formações instrumentais.

Nazareth levou os sons que vinham da rua, tocados por nossos músicos populares, para o piano, dando-lhes roupagem requintada. Sua obra se situa, assim, na fronteira do popular com o erudito e em nada destoa se interpretada por um concertista, como Arthur Moreira Lima, ou um chorão como Jacob do Bandolim. O espírito do choro estará sempre presente, estilizado nas teclas do primeiro, ou voltando às origens nas cordas do segundo.

Seu repertório para piano faz parte dos programas de ensino tanto do estilo erudito quanto popular, uma vez que foi uma figura que atuou no limite entre esses dois universos, definido por Villa-Lobos como “a verdadeira encarnação da alma musical brasileira”, que dele disse: "Suas tendências eram francamente para a composição romântica, pois Nazareth era um fervoroso entusiasta de Chopin." 

Entre os grandes admiradores da obra e da atuação como intérprete de Ernesto Nazareth, citam-se Arthur Rubinstein, o russo Miercio Orsowspk, Schelling (que levou suas composições, exibindo-as nos Estados Unidos e Europa), Henrique Oswald e Francisco Braga. Serviu de tema e de inspiração a Luciano Gallet, Darius Milhaud, Enani Braga, Villa-Lobos, Lorenzo Fernandez, Francisco Mignone e Radamés Gnatalli. Também a música de Nazareth faz parte de trechos de filmes de Fred Astaire, Walt Disney, Woody Allen, entre outros.

 Mário de Andrade assim definiu Nazareth: "compositor brasileiro dotado de uma extraordinária originalidade, porque transita com fôlego entre a música popular e erudita, fazendo-lhe a ponte, a união, o enlace".

Suas composições muitas vezes retrataram o ambiente musical das serestas e choros,  fazendo-o revelador da alma brasileira, ou, mais especificamente, carioca, como comenta o musicólogo Mozart de Araújo: "As características da música nacional foram de tal forma fixadas por ele e de tal modo ele se identificou com o jeito brasileiro de sentir a música, que a sua obra, perdendo embora a sua funcionalidade coreográfica imediata, se revalorizou, transformando-se hoje no mais rico repositório de fórmulas e constâncias rítmico-melódicas, jamais devidas, em qualquer tempo, a qualquer compositor de sua categoria".

Deve-se ainda ressaltar em sua produção a influência de compositores europeus, notadamente de Chopin, compositor cuja obra se dedicou a estudar meticulosamente e cuja inspiração se reflete, sobretudo, na elaboração melódica de suas valsas.

Deixou 211 peças completas para piano. sendo as  mais conhecidas : "Apanhei-te, cavaquinho!…", "Ameno Resedá" (polcas), "Confidências", "Coração que sente", "Expansiva", "Turbilhão de beijos" (valsas), “ Odeon”, "Bambino", "Brejeiro" e "Duvidoso" (tangos brasileiros).

Seus 150 anos, a serem celebrados em 20 de março de 2013, confundem-se simbolicamente com os 150 anos da música popular brasileira, motivo que leva o  Instituto Moreira Salles, a sair na frente das comemorações de 20 de março de 2013, com o projeto “Nazareth 150 anos _ Contagem Regressiva”. O site do projeto (ernestonazareth150anos.com.br) é complementado pelo da cravista Rosana Lanzelotte (ernestonazareth.com.br) onde é possível ouvir todas as obras do compositor.

Instituto Moreira Salles – Rio de Janeiro Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea Tel.: (21) 3284-7400/ (21) 3206-2500

O jornal O ESTADO DE S. PAULO, no caderno C2+música, de 17 de março de 2012, publicou uma página muito interessante assinada por João Luiz Sampaio: ERNESTO EM RITMO E PROSA. No site “estadão.com.br/e/nazareth” pode ser ouvida uma ótima interpretação do tango “Desengonçado”

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

VIK MUNIZ : PROJETO PAISAGEM

 

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Vik Muniz novamente  transformou lixo em arte, só que desta vez a matéria prima foi uma contribuição do público da Rio+20: “Paisagem”, um painel sobre a Baía de Guanabara, feito a partir de material reciclável.

Entre os dias 15 e 22 de junho, o público  levou produtos recicláveis, como garrafas plásticas ou latas de alumínio , à tenda em que foi instalada a obra, localizada entre o Museu de Arte Moderna (MAM) e o  aeroporto Santos Dumont, no Aterro do Flamengo.

Vik projetou no chão uma fotografia que fez da Baía a partir do Mirante Dona Marta, em Botafogo, em 2009.

O desenho com 25 metros de largura ficou numa tenda com nove metros de pé direito e uma passarela, instalada a quatro metros do chão, permite aos visitantes a vista completa do desenho, que, como define Vik, “não é uma exposição, mas um processo em que a paisagem é criada pelas pessoas”.  

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  Quando o visitante entra na tenda , vê a seguinte mensagem na porta: "O homem se relaciona com o meio ambiente através da paisagem". Vik Muniz explica: “A paisagem é como o homem internaliza a natureza. Nós possuímos certas limitações de sentidos que fazem com que o meio ambiente assuma um aspecto simbólico e linguístico e possa ser compreendido. Acho que a ideia de você criar uma situação onde você pode lidar com aspectos dessa discussão de uma outra forma, cria uma possibilidade de você começar a entender que existem alternativas. Até para liberar e abrir um pouco a cabeça para achar outras formas de discutirmos isso”.

Outros comentários de Vik Muniz:

“A ideia de você criar uma construção a partir de um material, cuja estética, pela associação ao significado do lixo, já está muito poluída, já impregna tudo que não é usável. Você pegar aquilo e fazer uma coisa bonita, você já está recarregando o potencial desses materiais com a promessa de reutilização. Quase tudo é reutilizável”.

“ Você poder fazer disso uma proposta interativa, e trabalhar com pessoas, ao invés de falar: 'olha só que lindo o que eu fiz', é bastante prazeroso. E também não é muito difícil fazer, você abre o processo a todo mundo, é um truque que eu uso. Você coloca o público dentro do estúdio. É uma situação bastante única, geralmente o artista reserva para si o mérito da feitura. Nesse caso, eu acho muito mais interessante que seja uma experiência mais comum, que todo mundo faça parte, e que eu esteja ali apenas como uma espécie de facilitador”.

“A sensação mais importante de todo o aspecto artístico,  é a sensação de transformação, você vê uma coisa virar outra coisa. A gente não dá muita bola quando está vendo uma pintura, por exemplo, e você vê o arranjo daquela substância, que é de origem animal, ou mineral, vegetal, que são os pigmentos, os olhos, o que entra dentro da pintura. Naquele arranjo você vai ver um retrato, ou uma natureza morta. Nesses casos, você não consegue sentir o processo de transformação. Aqui, a metáfora é duplamente importante. Você está transformando uma coisa em outra usando elementos, cuja natureza, como material, já te possibilita essa transformação. A garrafa pet, a lata de alumínio, tudo que está aqui pode ser transformado de outra forma. Todo esse material que está aqui pode dar vida a milhões de outras paisagens”.

“O interessante é que você está fazendo o retrato da cidade dentro dela. É o símbolo dentro do símbolo. Quando você está falando de meio ambiente parece que a gente está falando da natureza que está lá fora. Às vezes dificulta o pensamento e a cognição, de você falar de um sistema dentro dele. É uma proposta lógica bastante complicada. A gente quer trazer este paradigma para dentro desta situação. A cidade sou eu quem faço, é uma experiência para meditar um pouco sobre o símbolo da cidade, como ela pode ser executada”.

 

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A imagem da Baía de Guanabara, projetada no chão, começa a ganhar forma. Eduardo Naddar

 

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Produção da imagem da Baía de Guanabara com lixo reciclável doado pelo visitantes da Cúpula dos Povos.

 

O "Projeto Paisagem" é uma espécie de cartão postal reciclável, uma mensagem para chamar a atenção para o descarte irresponsável destes materiais no meio ambiente.

André Naddeo: “Se a internet é o palco da interatividade, no mundo artístico a participação popular atende pelo nome de Vik Muniz”.

quinta-feira, 21 de junho de 2012

OSWALDO GOELDI: SOMBRIA LUZ no MAM

 

 

O MAM está apresentando uma exposição dedicada à obra de Oswaldo Goeldi (1895-1961), considerado o expoente do expressionismo no Brasil. Também no MAM, a mostra “O ateliê de Goeldi” exibe seu espaço de criação no Leblon,  instrumentos de trabalho e objetos pessoais.

Na maior mostra já feita sobre o artista carioca encontram-se gravuras e desenhos produzidos por ele a partir da década de 20 – “momento em que Goeldi se tornou Goeldi”, como define o curador Paulo Venâncio Filho.

Nesses trabalhos, é possível identificar diferenças entre ele e os outros expressionistas. “Goeldi usa elementos mínimos, não é panfletário nem sentimental; suas obras têm certa sobriedade”, observa o curador. “Ainda assim, explora temas recorrentes entre os artistas do movimento, como a tensão entre a vida e a morte”.

Oswaldo Goeldi nasceu no Rio de Janeiro em outubro de 1895 e morou em Belém do Pará, às margens do Amazonas, até os seis anos de idade.

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Em 1901 vai com a família para Berna,  capital da Suíça, terra de seu pai, o naturalista Emílio Goeldi.

Inicia sua vida artística sob a escura atmosfera da I Grande Guerra. A morte será um tema recorrente em toda sua produção.

 

O MAM estreia nesta sexta-feira (15) a maior retrospectiva do expoente do expressionismo no Brasil Oswaldo Goeldi (1895-1961) Leia mais

  

Em entrevista a Ferreira Gullar (ARTES PLÁSTICAS - Jornal do Brasil. 1957. 12. 1. Suplemento Dominical)      Goeldi declara:

“Em 1919 vim para o Brasil, com minha família. A paisagem brasileira me pareceu estranha, era como se eu nunca houvesse estado aqui. Procurei então assimilar as formas que, com a minha ausência, tinham mudado de fisionomia e de expressão. Desenhei muito para me assenhorear das formas, ambientes, do novo mundo visual que ia ser a matéria de minha expressão. O que me interessava eram os aspectos estranhos do Rio suburbano, do Caju, com postes de luz enterrados até a metade na areia, urubu na rua, móveis na calçada, enfim coisas que deixariam besta qualquer europeu recém-chegado. Depois descobri os pescadores e toda madrugada ia para o mercado ver o desembarque do peixe e desenhava sem parar”.

 

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Goeldi - Garça

 

Outros trechos da mesma entrevista:

“Toda gravura minha é desenhada muitas vezes, tomo apontamentos e só muito depois, às vezes anos, nasce a gravura“.

“Estava saturado do preto-e-branco e procurei a cor. Inicialmente fiz umas aquarelas e depois tentei passar para a gravura. Nas primeiras gravuras em que usei a cor, usei-a com um sentido diferente, meio simbólico, meio fantástico, como na gravura do guarda-chuva vermelho e na do siri vermelho, entre outras. Nessa fase cheguei a fazer gravuras em policromia, com sete, oito cores e tons diferentes. Foi então que reparei que me aproximava da estampagem”.

 

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“Há quem condene a gravura em cores.
Lembro-me que um crítico italiano - parece que Pallucchini - declarou que gravura tinha que ser mesmo em preto e branco, gravura em cor era desvio. Discordo dessa opinião. Tudo depende da aplicação que se faz na cor. Quando bem aplicada, a cor não prejudica a gravura, antes a enriquece, como no caso dos japoneses, de Gauguin e de Munch. Pallucchini talvez tenha dito aquilo pensando nas experiências feitas pelos alemães, há algum tempo, cujo resultado foi fragoroso: faziam uma estampagem pesada, com linóleo, que parecia mais pintura que gravura”.

“ Há gravadores que parecem se contentar com o preto e o branco extraindo deles ricos efeitos.
Pode-se com o preto atingir efeitos de policromia mas isso não quer dizer que a gravura esteja obrigada a esses elementos. Com a cor consegue-se ótimo resultado. É certo que nem toda técnica recebe bem a cor. Ela fica melhor na lito e na xilo”.

“Nunca poderia fazer uma gravura abstrata. Sempre quero expressar alguma coisa que é anterior às formas que gravarei, que envolve um sentimento qualquer de angústia, de solidão ou de fantástico. Não gravo diretamente, desenho primeiro sobre a chapa, dispondo as zonas de cor, de massa preta, os brancos, e só gravo mesmo quando considero que a idéia está clara, e então gravo dum arranco do começo ao fim”.

Goeldi será sempre um observador que segue colecionando seus segredos, para revelá-los pouco a pouco : peixes, cidades e urubus, abandono e solidão.

 

O MAM estreia nesta sexta-feira (15) a maior retrospectiva do expoente do expressionismo no Brasil Oswaldo Goeldi (1895-1961). Entre os destaques, a xilogravura "Rua", de 1938 Leia mais

 

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 O tema urbano, tão caro aos artistas modernos, em Goeldi, conta a história, não apenas do Rio de Janeiro, mas de qualquer cidade industrializada.

 

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Em sua obra, Goeldi fala sobre a experiência de habitar lugares que não acolhem, sobre a solidão, a incomunicabilidade, o desajuste e o esquecimento.

 

O MAM estreia nesta sexta-feira (15) a maior retrospectiva do expoente do expressionismo no Brasil Oswaldo Goeldi (1895-1961). Entre os destaques, está a obra "Sonâmbula" (sem data) Leia mais

 

 

O MAM estreia nesta sexta-feira (15) a maior retrospectiva do expoente do expressionismo no Brasil Oswaldo Goeldi (1895-1961) Leia mais

 

Nas palavras de Paulo Venâncio Filho, “meio século após sua morte, a obra de Oswaldo Goeldi ainda desafia os clichês que retratam o Brasil como uma espécie de paraíso tropical. Com os recursos limitados da xilogravura e do desenho a lápis ou carvão, mostrou que sob a luz solar havia um mundo em desassossego e desajuste”.

“Este singular expressionista deslocado nos trópicos, que encontrou em Alfred Kubin – com quem se correspondeu – um amigo e admirador, vislumbrou, especialmente na paisagem urbana do Rio de Janeiro, a condição trágica do homem moderno; seu isolamento, sua solidão, sua disjunção com o real. Através da simples oposição entre luz em sombra da xilogravura, com uma economia mínima de elementos, revelou um mundo subterrâneo, às vezes fantástico, às vezes sinistro e ameaçador, e não menos verdadeiro.”

 

Ivan Claudio  comenta: “Quem contempla a obra sombria do artista plástico Oswaldo Goeldi (1895-1961) não imagina que ele a produziu na ensolarada cidade do Rio de Janeiro.”

 

Oswaldo Goeldi: sombria luz (Grande Sala) e O Ateliê de Goeldi (Sala Paulo Figueiredo). Até 19/08, ter. a dom. das 10h às 17h30. Museu de Arte Moderna de São Paulo, Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº – Portão 3. R$ 5,50 (entrada franca aos domingos). Agendamento de visitas: 5085-1313 e email educativo@mam.org.br. mam.org.br  

 

domingo, 3 de junho de 2012

EXPOSIÇÃO DE RENATA CRUZ NO DCONCEPT

 

Classificação por Espécies, individual de Renata Cruz, apresenta  parte da produção de desenhos e aquarelas da jovem e promissora artista paulista.

 

 

 

 

  Organizada no exíguo espaço da sala-garagem do dconcept,         encontra-se uma coleção de desenhos e de objetos de valor simbólico.

 

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Na parede ao fundo estão reunidos, em três linhas paralelas, 30 desenhos de objetos, em tamanho real sobre papel A4, que Renata produziu nos dias do mês de maio de 2011 como parte do projeto “Um desenho por dia”.

 

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A chave para a compreensão da obra da artista se encontra numa vitrine, no centro da saleta : objetos de pequeno porte que ela coleta entre amigos, ou entre desconhecidos, em projetos como “Quatro semanas de objetos estabilizadores” (SESC), quando  percorreu cidades do Interior do Estado de São Paulo trocando brochuras artesanais por objetos de desconhecidos. Se num primeiro momento eles serviram de motivo para o exercício diário de desenho, “para não perder a mão”, como diz a artista, organizados em seis caixas esses objetos ganham novo sentido.

 

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Nas demais paredes estão as séries Encontro Marcado, em que a artista exibe imagens de objetos doados por amigos com frases  a eles relacionados e também desenhos, onde objetos de desconhecidos são apresentados ao lado de páginas abertas de livros.

 

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“O uso de frases soltas que compõem os desenhos de objetos de Renata Cruz não passará despercebido pelo público que visitar sua exposição. Retiradas de obras literárias e desmembradas pela artista, a colagem de frases nas páginas das brochuras parece igualar-se a poemas em prosa”.

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“Escapou do tempo. É um sobrevivente” – são frases que acompanham os desenhos de uma garrafa de refrigerante vazia e uma folha de árvore seca.

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“O mesmo ocorre com os objetos que a artista recebe de suas trocas: por um objeto pessoal de valor simbólico, ela oferece uma brochura com desenhos de objetos da mesma natureza, intercambiados em outras ocasiões. As brochuras acabam sendo a moeda de troca por meio da qual a artista recebe objetos aparentemente sem valor, mas que não são outra coisa que a matéria prima de seu trabalho. E os desenhos, afiliados ao seu procedimento de trabalho, são meios que o aproximam da esfera relacional da arte, transformando o espectador em participante-ativo, como dizia Hélio Oiticica”.

 

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“A artista fundamenta seu modo de relacionar-se com a arte e seus interlocutores, transformando objetos corriqueiros na ferramenta que engendra ações subjetivas e agregando valor a cada peça inserida em sua coleção. Instaura-se nesse momento a possibilidade de burlar convenções, redefinindo tanto o ato de relacionar-se com o outro, quanto códigos de conduta instituídos”.

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 “Enquanto coleciona objetos e frases que chegam até ela por meio da troca ou apropriação, Renata Cruz arquiteta bases sólidas para sua relação com a arte. É preciso pensar na organicidade do mundo e na ressignificação da sintaxe para adentrar sua maneira de atuar no mundo da arte”.

Comentários do crítico Josué Mattos

 

Renata Cruz é graduada em Comunicação Visual pela Unesp de  Bauru e em Belas Artes pela Universidad Autónoma de Madrid, Espanha. Tem pós-graduação em Arte Integrativa pela Universidade Anhembi Morumbi. Sua formação artística inclui curso livre de gravura no MAC USP, de pintura com Hildebrando de Castro, acompanhamento de projetos com o artista Osmar Pinheiro e com o critico Josué Mattos. Desde 2005 vem participando de mostras coletivas com o Ateliê Fidalga, coordenado pelos artistas Sandra Cinto e Albano Afonso, e com o grupo Aluga-se.


Serviço:
Classificação por Espécies, mostra individual da artista Renata Cruz
Período expositivo: de 04 a 30 junho de 2012
dconcept escritório de arte
Alameda Lorena, 1.257, G1 (Vila Flávio de Carvalho)
01424-001 - Jardim Paulista, São Paulo - SP
Horários: de segunda a sexta-feira, das 14 às 20 horas
Tel. (11) 3085 5006
www.dconcept.net
Entrada gratuita e livre